Corpo e Saúde
Fala Cotidiana
Incomodar, atormentar, encher a paciência; também o estado de quem está irritado.
Arreda aí / Te arredaAfastar-se, chegar pra lá.
Axí credoExpressão de desdém/nojo; demonstra que não gosta de algo.
BombomNo Pará, qualquer bala ou doce.
BorimboraAglutinação de 'bora ir embora?'; chamar alguém pra sair.
Capar o gatoIr embora, sair de fininho.
Dar a forraRetribuir um favor, compensar alguém.
Dá teus pulosVira-te, resolve teus próprios problemas.
De rocha / DirochaConfirma que algo é verdade mesmo, pra valer. (Não existe 'da rocha'.)
ÊêêêTom irônico de desconfiança.
ÉguaO coringa do paraense (a 'vírgula'): dúvida, espanto, surpresa, raiva — depende da entonação. Equivale ao 'uai' mineiro ou 'oxe' baiano. Reforço: pai d'égua.
Encarnação / encarnarZoar, tirar sarro de alguém, especialmente após um vexame.
Esbandalhar / EscangalharQuebrar, destruir, deixar em desordem (objetos ou situações).
Eu chooro!!!Indiferença total; 'não tô nem aí', 'te vira'.
Já estás no teu momentoAdvertência a quem está se passando/abusando da boa vontade.
Já me vú / Já mivú'Já vou', estou indo embora.
Lá na caixa pregoMuito longe, no fim do mundo.
Levou o fareloDeu-se mal; (em outro uso) morreu.
Maninho / mana'Mano/cara'; tratamento afetuoso universal.
Mas credoEspanto, normalmente diante de algo negativo.
Mas quando!Negação enfática/deboche; 'de jeito nenhum', 'nada a ver'.
Me erra (me mira, mas me erra)'Me deixa em paz', para de incomodar.
Miado(a)Sem graça, broxante, fraco (de ambiente/clima/coisa).
Muito palhaAlgo ruim, chato, sem graça.
Nem te bate'Deixa pra lá', não liga pra isso.
O cavalo mordeu tua cabeça?Questiona a lógica de uma atitude absurda.
Olha que o pau te acha / Pau te achaAlerta de que atitudes erradas terão consequências; (tb.) apanhar.
Pagou o sapoDar/levar um puxão de orelha, bronca.
Pai d'éguaAlgo excelente, fenomenal; aprovação máxima.
Pegar o becoIr embora; também fugir.
PitiúCheiro forte/ruim, em especial de peixe ou maresia.
Pô-pô-pôBarquinho pequeno a motor, comum entre ribeirinhos.
Potoca / potoqueiroMentira/história inventada; quem mente.
Rasga (daqui)'Suma', 'vá embora'.
Só o creme, mano!Só o melhor; algo muito bom.
Só o filéSituação ótima, de conforto/satisfação plena.
Só te digo vaiAdvertência irônica sobre uma má ideia ('vai lá pra ver no que dá'). Clássico de mãe.
Tá, cheirosoDiscordância irônica.
Te acoca'Abaixa-te', 'te esconde' (acocar = agachar).
TédoidéAglutinação de 'Tu é doido, é?'.
Fauna
Mosquito/pernilongo/muriçoca. Na Amazônia, algumas espécies transmitem doenças (malária).
DouradaBagre migratório de carne clara e firme, comum na pesca comercial.
FilhoteForma jovem da piraíba; peixe de couro de carne nobre, símbolo da gastronomia paraense.
MaparáPeixe de couro pequeno, comum na culinária ribeirinha paraense.
Pescada (amarela)Peixe muito usado na culinária paraense, em ensopados e frituras.
PirarucuMaior peixe de escamas de água doce do Brasil; carne nobre da culinária amazônica.
TambaquiPeixe redondo de água doce, muito apreciado assado ou em caldeirada.
TamuatáPeixe de placas ósseas (cascudo) que vive no fundo dos rios; usado em ensopados.
TucunaréPeixe de água doce com várias espécies e padrões coloridos, valorizado na mesa e na pesca.
Festa e Evento
Flora
Fruta ácida amazônica usada em sucos, geleias e sobremesas.
BacabaFruto de palmeira aparentado ao açaí; rende um 'vinho' (suco) encorpado.
BacuriFruto de casca amarela grossa e polpa branca cremosa e aromática; muito usado em doces e sorvetes.
BiribáFruta de polpa branca, doce e gelatinosa.
CupuaçuFruto amazônico primo do cacau; polpa branca, ácida e perfumada, base de cremes, doces e sucos.
IngáVagem cujas sementes vêm envoltas em polpa branca e adocicada.
Muruci (murici)Fruta pequena e amarela de aroma forte, usada em sucos, doces e na 'chica-doida'.
PatauáFruto de palmeira semelhante ao açaí, do qual se extrai 'vinho' e óleo.
PupunhaFruto de palmeira comido cozido, rico em nutrientes; também vira farinha.
TaperebáNome paraense do cajá; fruto ácido usado em sucos e sorvetes.
TucumãFruto de palmeira de polpa fibrosa e alaranjada, consumido in natura e em sorvetes.
UxiFruto oleaginoso de polpa amarela e nutritiva, comum nas feiras de Belém.
Folclore e Imaginário
Na lenda, o boto vira um rapaz elegante que seduz moças nas festas ribeirinhas.
CurupiraEntidade protetora da floresta, de pés virados para trás, que pune caçadores predadores.
IaraMãe d'água que atrai homens para o fundo dos rios.
MapinguariCriatura lendária gigante, guardiã da mata amazônica.
VisagemAssombração, fantasma, alma penada; figura do folclore amazônico.
Gastronomia
Prato de quiabo com camarão seco, dendê e farinha, de raiz afro-brasileira.
Dendê (azeite de dendê)Óleo de palma alaranjado usado em pratos como caruru e vatapá.
Goma de tapiocaFécula úmida da mandioca, base do tacacá e da tapioca.
ManivaFolha da mandioca moída e cozida por dias, base da maniçoba.
Pão carecaO pãozinho de água e sal ('pão francês' em outros estados).
VatapáCreme de pão/farinha com camarão, leite de coco e dendê, servido em ocasiões festivas.
Música e Dança
Pessoa e Comportamento
Estado de irritação/frustração extrema.
Encaralhado(a)Extremamente irritado, zangado.
GabolaHomem que se gaba de conquistas amorosas, geralmente exagerando ou difamando.
Gala secaPessoa boba, sem noção, desligada, folgada.
MaluvidoMenino danado, desobediente.
MexilhãoPessoa enxerida, que mexe em tudo.
MocorongoLento, bobo, devagar; também 'do interior'.
PavulagemMetido, convencido, exibido.
Pomba lesaPessoa lenta, desligada, avoada.
Relações e Afeto
Religiosidade
Líder espiritual e curandeiro que conduz os rituais de pajelança.
PajelançaSistema de cura e religiosidade cabocla/afroindígena, com rezas, maracás e fumaça, para curar e desfazer feitiços.
TerreiroEspaço sagrado dos cultos afro-paraenses (Tambor de Mina), onde se realizam ritos e atendimentos.
Tempo e Natureza
Trabalho e Economia
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